
Por onde começar? Esta é sempre a primeira questão que nos vem à ideia.
Para ajudar a nossa busca iremos recorrer como não podia deixar de ser aos livros. E como a metodologia do trabalho ciêntifico faz falta a quem tem pouca prática neste tipo de coisas, hoje recomendo a leitura do livro de Umberto Eco " Como se faz uma Tese em ciências humanas". Com uma linguagem acessível e despretenciosa conseguimos recolher conselhos e dicas preciosas. À pergunta "Quanto tempo é preciso para fazer uma tese?", o autor responde prontamente: não menos de seis meses e nunca mais de três anos! Já nos dá uma margem para fazer a planificação do nosso trabalho. E explica ele: "não menos de seis meses, porque mesmo que se queira fazer o equivalente a um bom artigo de revista, que não tenha mais de sessenta páginas (coincide com o nº de páginas pretendido para a nossa tese), entre o estudo da organização do trabalho, a procura da bibliografia, a elaboração de fichas e a redacção do texto passam facilmente seis meses." Já no extremo oposto os três anos o autor refere: "se em três anos de trabalho não se conseguiu circuncrever o tema e encontrar a documentação necessária, isso só pode significar três coisas:
1) escolheu-se a tese errada, superior às nossas forças;
2) é-se um eterno descontente que quer dizer tudo, e continua-se a trabalhar na tese durante vinte anos, enquanto um estudioso hábil deve ser capaz de fixar a si mesmo limites, mesmo modestos e produzir algo de definitivo;
3) teve início a neurose da tese, ela é abandonada, retomada, sentimo-nos falhados, entramos num estado de depressão, utilizamos a tese como álibi de muitas cobardias, etc...."
Enfim, estou a ser "clara" ? (Onde será que já ouvi isto?)
Bem, há outro capítulo muito importante, (III.2), sobre a investigação bibliográfica que contem uma passagem deliciosa sobre que livros se devem ler e por que ordem, etc. Temos os conselhos práticos que nos dizem que "devemos abordar logo dois ou três textos críticos dos mais gerais, o suficiente para ter uma ideia do terreno em que nos movemos; depois atacar directamente o autor original, procurando entender o que diz; seguidamente examinar a restante crítica; finalmente, voltar a analisar o autor à luz das novas ideias adquiridas."
E é aqui que Umberto Eco distingue os dois tipos de investigadores: os monocrónicos e os policrónicos!!! Para vos esclarecer, os primeiros só trabalham bem se começarem e acabarem uma coisa de cada vez. "Não conseguem ler enquanto ouvem música, não podem interromper um romance para ler outro, pois de outro modo perdem o fio à meada e, nos casos limite, nem sequer podem responder a perguntas quando estão a fazer a barba ou a maquilhar-se." (Confesso que isto pode ser um pouco exagerado!!!)
Os policrónicos (onde, por acaso eu me insiro) são o contrário. "Só trabalham bem se cultivarem vários interesses ao mesmo tempo e se se dedicarem a uma só coisa, deixam-se vencer pelo tédio. Os monocrónicos são mais metódicos, mas têm pouca fantasia; os policrónicos parecem mais criativos, mas muitas vezes são trapalhões e volúveis".
Mas não desesperem, caros amigos, onde quer que se revejam, monocrónicos ou policrónicos, tomem por consolação que existem, grandes autores com ambas as características. Por isso, mãos à obra e por favor não se esqueçam de regar as Margaridas!!!

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